sábado, 11 de junho de 2016

Marta Roml

Estive na inauguração da exposição de pintura de Marta Roml.
Fui entrando em Mafra, vindo de Torres Vedras, a avenida do auditório Beatriz Costa, o Palácio da Justiça, já está vencida, a Escola de Armas, Convento, Terreiro Dom João V cheios com milhares de seniores das universidades para a terceira idade, em encontro promovido pela RUTIS. Colorido, vistoso, animado. Da Rua da Escola de Escultura de Mafra sigo os meus passos, pairo um pouco, perto do local de destino. Ainda é cedo. Alguém me chama... e tenho o privilégio de entrar na sala da exposição, antes da hora oficial.
Marta diz-se na cor. O vermelho é um alerta, acorda-nos, agarra e sacode, que nos quer dizer? O azul indigo que nos quer dizer? Somos envolvidos, chamados numa luta-abraço, sem sabermos bem o que nos confronta. Alguma coisa está para acontecer, diz José Mário Branco na sua canção. Marta no movimento, caminhada de procura, vivência e vidência, encontra a verdade e o erro gerando-se um ao outro, apurando-se em catarses seguidas de novo processo. Quietação, in.quietação.
Fui obrigado a escolher, com premência, sem procurar significados ou figurações, e apontei para o quadro oito, na sequência da exposição, a partir da esquerda de quem entra: Inquietação 1. É o quadro do meio na parede ao fundo.

No final, Luís Filipe Rodrigues e Marta - pai e filha - protagonizaram uma leitura baseada em letra de José Mário Branco e poema de Fernando Pessoa/Álvaro de Campos, «Mestre, meu mestre querido»... A poesia ganhou vida na voz e gesto de LFR, no diálogo com Marta, que, por sua vez, nos ofereceu poesia coreografada, como a dizer doutra maneira a verdade-tensão da sua pintura.

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«Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo (…).»
Fernando Pessoa, 'Teoria da Heteronímia'

A verdade da mentira apresentada nesta exposição mostra uma diversidade pictórica enraizada numa procura de sentidos no mundo. Um universo plástico que se apresenta, à partida, disperso, mas que resulta numa rede de temas oscilando entre questões que pretendem invadir o espectador, pondo em causa paradigmas estabelecidos.
Vivemos numa sociedade mediatizada pela norma, há que ter um estilo, uma marca, por isso, "in.quietação" representa um ponto de fuga a esta formatação. Por entre códigos de barras, uma sonoridade sempre premente, num movimento descontínuo e controverso, impele o espectador a dividir-se para depois se unir à poética das sensações e sentimentos.

Marta Roml


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O texto supra, bem como a imagem, são retirados do facebook de M. R., com a devida vénia.
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Ver, aquias imagens dos quadros e alguma informação adicional.