terça-feira, 9 de outubro de 2018

Revisionismo histórico no FOLIO - Festival Literário Internacional de Óbidos


07-10-2018, domingo
Estou a Pensar no FOLIO — Festival Literário Internacional de Óbidos Passámos por lá, de novo... As ruas (na verdade, só andámos calmamente no eixo principal e Praça de Santa Maria), cheias de gente tranquila, movendo-se sem pressa...
Às 16 h, depois de da esplanada da Casa da Música termos ouvido o Quarteto de Saxofones da Sociedade Musical e Recreativa Obidense, junto ao Padrão Camoniano..., depois de dali termos saído, já o quarteto tinha deixado a torreira do sol sem que tivéssemos dado por isso... (E bem tocaram, quase nos deixaram a conversar em pano de fundo e «adormecemos» embalados na música e na envolvência acolhedora de Óbidos, da sua beleza sem par...)
Às quatro da tarde, na Casa das Edições Tinta-da-China, com um livro comprado na Feira do Livro Raro e Antigo, ali mesmo à porta, entramos... Vamos ouvir conversar Pacheco Pereira e Fernando Rosas sobre Revisionismo Histórico. Na mesa, a moderar, a directora editorial da Tinta-da-China, Bárbara Bulhosa.
Foi muito agradável ouvi-los, diálogo entre pessoas muito competentes, com quem sempre se aprende... O aspecto dialogal foi o mais importante, uma base larga de entendimento, não se esperando coincidência em vários pontos ou questões ou na visão do mundo. Em que continente, em que região, em que país gostaria cada um de viver?
Finda a sessão, de cujo espaço deixo algumas fotografias já com a casa vazia, pequena paragem para levar outro opúsculo imperdível que não me tinha atrevido a comprar. [Do facebook]
Dulce Maria Cardoso (à esquerda) e Agustina Bessa-Luís. Convém dizer que nesta sala está uma exposição de fotografias, RETRATOS DE ESCRITORES, de Alfredo Cunha.

 Vitorino Nemésio, Eugénio de Andrade, Natália Correia e David Mourão Ferreira , Davífen, como lhe chamava Artur Portela Filho.

 

 Em lugar de destaque, figuras tutelares da Filosofia/Pensamento e Poesia: Eduardo Lourenço e Herberto Hélder.

Terminada a sessão, as últimas pessoas, junto a Pacheco Pereira e Fernando Rosas. 

08-10-2018
Ontem, domingo, estive a ouvi-lo em conversa com Fernando Rosas, no FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos. Gostei mais dele do que do Fernando Rosas, que também é muito competente, mas se esquece um pouco dos defeitos de um dos lados do arco-íris. O Pacheco usa a paleta toda, mais em largueza e mais acima... O F. Rosas começou por falar das exigências do ofício de historiador, metodologia, rigor e outros apetrechos científicos, mas que este tipo de trabalho será sempre acompanhado de subjectividade. Sobre isso ninguém terá dúvidas... [Do facebook]

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Inauguração da Nova Igreja da Silveira em 1955

Um mês depois da festa anual em honra de Nossa Senhora do Amparo, é oportuno lembrar a construção da igreja nova, inaugurada em 16 de Outubro de 1955; mais espaçosa que a anterior e preparada para melhor corresponder às necessidades dos que a procuram.
1 Out 55
Após dez anos de esforços, com a presença do ministro das Obras Públicas (1) e entidades oficiais, anunciava-se para o dia 16 de Outubro a inauguração da nova igreja da Silveira. O destaque vai para a figura do cardeal-patriarca, aguardado pelas 11 horas no limite da freguesia, formando-se a partir daí um cortejo automóvel em que as pessoas que o quisessem fazer eram convidadas a incorporar-se. 12 h: bênção da igreja e missa na frontaria do novo templo. «Às 16 hor. – Em acção de graças será cantado solene “Te Deum”.» (1) O ministro e o governador civil de Lisboa fizeram-se representar pelo presidente da Câmara, Dr. Rogério de Figueiroa Rego.
                Obs.: Clicar nas imagens uma ou duas vezes, para ampliar e permitir uma leitura mais cómoda...




15  Out 55
E a igreja fez-se!... / Homenagem de gratidão – assim titulava o Badaladas na véspera da inauguração, com pequeno texto na primeira página, continuado na última.
A gratidão referida no título vai em primeiro lugar para o dinamismo do pároco, as suas insónias, os esforços continuados, conseguindo a comparticipação do Estado, e deve entender-se estendida aos que contribuíram com generosidade, a «boa gente que (...) se privou muitas vezes do necessário, para que a sua igreja fosse levantada». 
O padre António Antunes Trincão sentiu a necessidade da nova igreja, desde que tomou posse da freguesia. A torre ao pé da estrada lembrará «a fé e o espírito de sacrifício que a levaram a cabo». Assina: Um paroquiano por todos os paroquianos da Silveira. Este Um, este Alguém, quem será?, pergunta uma pessoa de hoje, julgando ser o director do jornal, P.Joaquim Maria de Sousa.






1 Nov 55

Faço um convite à leitura da reportagem do dia da inauguração da igreja. As ruas estavam engalanadas, com colgaduras, «ornamentos de festões de verdura, bandeiras e flâmulas que tremulavam ao vento». O cardeal Cerejeira fez o percurso a pé, a partir de Secarias, onde os Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, com a banda de música e a banda da Encarnação formavam. A banda dos Bombeiros tocou a «Maria da Fonte» enquanto se ia ouvindo subir no ar e rebentar foguetes e morteiros. E todos se dirigiram para junto da nova igreja.
Houve missa solene, com altar disposto na galilé, junto à porta da igreja, perante o povo que enchia o largo fronteiro. Usaram da palavra o padre Trincão, o presidente da Câmara Municipal, um antigo paroquiano (sr. José Inácio da Silva). Por fim, falou o cardeal-patriarca.
«Encerrada a sessão, procedeu Sua Eminência à bênção ritual da igreja, aspergindo as suas paredes, por fora e por dentro, com água benta.» Terminada esta cerimónia, «em altar armado diante da porta de entrada da nova igreja, o Pároco celebrou a Missa a que assistiram as mesmas entidades, numeroso clero e grande multidão concentrada no largo fronteiro».
As solenidades continuaram durante a semana, tendo significado especial a cerimónia de sagração do altar-mor conduzida no sábado, pelo bispo auxiliar do Patriarcado, D. António de Campos, conforme o programa estabelecido.
Transcrevo os destaques da reportagem:
A chegada do Senhor Cardeal Patriarca
Sessão solene e bênção
Em Santa Cruz e Póvoa de Penafirme
Acção de graças