domingo, 28 de abril de 2019

Uma Procissão em Estremoz

Na última visita que fiz ao Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho (26 de Abril de 2018), deu-me especial prazer e luta fotografar uma procissão. O atendimento foi precioso ou sem preço – o que quer aqui dizer o mesmo. Senti-me em casa. A cidade, a luz, o casario branco, a planície vista do alto, o castelo, Santa Maria, o caminho, devagar, até ao Rossio, um encanto... aumentado pelas longas ausências.
Queria deixar só uma fotografia, mas não resisto a mostrar outras para melhor se poder apreciar... São bonecos o que vemos, mas vejo gente, vejo pessoas. Como aquela arte a que se pode chamar ingénua tem um tal poder de sugestão! Aqueles bonecos são vida. O que acordam em nós?
***
(Clique sobre as imagens para ampliar)




Nesta imagem, a procissão toda (parte religiosa e banda de música). Do último músico, só se vê parte.






NOTA – Este texto e as fotografias correspondentes saíram há dias no facebook, em grupo fechado. Agradeço ao Hernâni Matos ter identificado o autor da procissão, Mariano da Conceição (1903-1959). O que fica mais abaixo reflecte o percurso de um dia de Abril de 2018, em que estive a visitar demoradamente o Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho. Por acaso, foi a segunda visita nesse mês.
*
A cidade, a luz, o casario branco, a planície vista do alto, o castelo, Santa Maria, o caminho, devagar, até ao Rossio, um encanto... aumentado pelas longas ausências.

Largo de D. Dinis
Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho


 Torre de Menagem do Castelo

 Largo de D. Dinis
Igreja de Santa Maria



Paços da Audiência de D. Dinis


 Capela de Nosso Senhor dos Inocentes


A Cadeia - restaurante no espaço da cadeia quinhentista
Passagem por trás da igreja


Rua de Santa Isabel
Termina no largo onde é continuada pela Rua da Calçada da Frandina até à Porta do Sol






À esquerda, a Rua da Calçada da Frandina; à direita, a Rua Nova

 Rua da Calçada da Frandina

Olhando para trás, vê-se os sinos da Igreja de Santa Maria

 Rua da Calçada da Frandina


A Porta do Sol ou da Frandina
Sobre o arco, lápide comemorativa da imaculada conceição da Virgem Maria, declarada Padroeira de Portugal, pelo rei, juntamente com as cortes gerais. D. João IV determinou  que as cidades e vilas dos «seus reinos», tivessem lápides nas portas de entrada e fez acompanhar a ordem, de uma carta com o texto, «segundo a legenda feita pelo doutor António de Sousa Macedo a sugestão do padre fr. António das Chagas»*. 

Lápide idêntica a esta ostenta a porta do Arco de Santarém e é essa que Túlio Espanca transcreve*, dizendo: «A leitura, sem ser incorrecta, difere, ligeiramente da clássica e tem, por conveniência de espaço, diminuição de linhas, a saber:

AETERNIT SACR.
IMMACVLATISSIMAE
CONCEPTIONI MARIAE
JOAN. IV PORTVGALL. REX
VNA CVM GENERAL. COMITIIS
SE. ET REGNA SVA
SVB ANNVO CENSV TRIBVTARIA
PVBLICE VOVIT
ATQVE DEIPARAM IN IMPERII TVTELAREM
        ELECTAM
A LABE ORIGINALI PRAESERVATÃ PERPETVUO
         DEFENSVRV
JVRAMENTO FIRMAVIT
VIVERET VT PIETAS LVSITAN.
HOC VIVO LAPIDE MEMORIALE PERENNE
ANN. CHRISTI M.DC.XL.VI
IMPERII SUI VI.»

Nesta pedra, parecendo o texto igual, a arrumação das linhas é algo diferente... Talvez a outra tenha leitura mais fácil...



Rua de D. Afonso III


 Em frente, o caminho até ao Rossio do Marquês de Pombal segue pela Rua da Frandina
À esquerda, a Rua da Campainha


Rua da Campainha


Já na Rua da Frandina, deixando atrás a Porta do Sol

Rua da Frandina


 Ao fundo, o Palácio da Justiça, ocupando o espaço da igreja paroquial de Santo André, demolida em 1960

Pelourinho
Praça Luís de Camões




Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte (entrada principal na Rua de D. Vasco da Gama, à esquerda na foto; adquirido pela Câmara Municipal de Estremoz em 2010) e a Antiga Vedoria do Exército (na Rua 5 de Outubro, com sete janelas de sacada, estando a primeira escondida na imagem. «Defrontava a demolida igreja paroquial de Santo André*.»)

 Em frente se segue até ao Rossio do Marquês de Pombal

 Eis o famoso Rossio

 Neste lado do Rossio se fazem os mercados semanais
A igreja dos Congregados está desafecta ao culto e no que foi o convento está instalados os serviços da Câmara Municipal, da Biblioteca  e o Museu de Arte Sacra de Estremoz

_____________                    
* Túlio Espanca, no Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Évora, concelhos de Arraiolos, Estremoz, Montemor-o-Novo, Mora e Vendas Novas, I volume