segunda-feira, 25 de junho de 2018

No Porto

            15 de Junho de 2018, sexta-feira, tarde
Ainda agora lá passei, em visita à Cantareira, a ver a casa em que morou Raul Brandão. Estamos na Foz. Passo na Avenida do Brasil e leio os versos de um autor de que intimamente gosto. Aquele mundo, o de António Nobre, pode já não existir, não estou certo disto, porque o trazemos no coração. Ao ler o , temos aquele mundo em nós, tornando-nos maiores. Se nos tirarem a casa onde o Poeta morreu — era do irmão —, também morremos um pouco, vamos morrendo aos poucos…
É disto que fala, em outras palavras, o artigo de Patrícia Carvalho, no Público, aqui reproduzido, com a devida vénia.
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Casa onde morreu António Nobre vai ser demolida
Plataforma Fórum Cidadania Porto divulgou um protesto dirigido à Câmara do Porto e pede que esta tome posse administrativa do edifício que será substituído por prédio de habitação.
24 de Fevereiro de 2018, 8:00

A casa onde morreu o poeta (a mais baixa) vai ser substituída por um prédio novo Nelson Garrido
O escritor Mário Cláudio anda há mais de dez anos a pedir à Câmara do Porto que preserve a casa da Avenida Brasil, na Foz do Douro, onde morreu o poeta António Nobre e, em 2015, promoveu mesmo uma petição nesse sentido, mas a oportunidade parece, agora, definitivamente perdida. A casa de dois pisos, que há muito estava ao abandono, vai ser demolida e substituída por um novo edifício, que irá integrar o projecto imobiliário Panorama e que inclui, ainda, o prédio contíguo, com características Arte Nova. Um protesto já seguiu para a câmara liderada por Rui Moreira.
O novo empreendimento, que prevê a recuperação do palacete com características Arte Nova e a construção de um novo prédio no local onde ainda está a casa arruinada do irmão de António Nobre, onde o poeta morreu, em 1900, pretende oferecer nove apartamentos nesta zona privilegiada da cidade, voltada para o mar. O projecto de arquitectura é do gabinete Pedra Líquida, que é parceiro da Alfa Atlântica, a imobiliária que está a promover a venda do complexo habitacional.
Na quinta-feira, a plataforma online Fórum Cidadania Porto divulgou uma carta aberta dirigida a Rui Moreira, e com conhecimento da Área Metropolitana do Porto, em que é apresentado um “protesto pela pré-anunciada destruição da casa onde morreu António Nobre”. Referindo que, apesar da petição lançada por Mário Cláudio, em 2015, a casa de dois pisos “nunca foi intervencionada pela Câmara Municipal do Porto, para grande espanto de todos quanto se preocupam com a identidade e a memória da cidade”, os signatários apelam a Rui Moreira “para que evite esta demolição e diligencie para a posse administrativa da moradia, sustendo a sua derrocada e recuperando-a enquanto casa-museu, negociando com o proprietário a eventual concessão de créditos de construção em terrenos municipais, longe de afectarem a história e o património da cidade”.

Imagem virtual do projecto previsto para os lotes da casa dos Nobre e de uma casa Arte Nova DR
A carta, disponível online na página do Fórum Cidadania Porto, refere-se ainda ao edifício contíguo, lançando um novo apelo à câmara para que “não autorize o desfigurar irreversível do ainda interessante edifício vizinho da casa dos irmãos Nobre”.
O PÚBLICO questionou a Câmara do Porto sobre este processo e, em concreto, sobre se a autarquia pretendia responder de alguma forma aos apelos feitos, mas apenas recebeu como resposta escrita que o projecto de arquitectura dos prédios em causa “foi aprovado por despacho do senhor vereador Correia Fernandes, em Maio de 2017” – o último mês em que o socialista exerceu aquelas funções. Já o gabinete de arquitectura não esteve disponível para prestar esclarecimentos durante o dia.
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Também não foi possível ouvir o escritor Mário Cláudio que já por várias vezes falou publicamente sobre a que entendia ser a necessidade de preservar um edifício que, não tendo um especial valor arquitectónico, o tinha em termos culturais e patrimoniais. Em 2007, Mário Cláudio lamentava o desaparecimento da placa colocada na fachada da casa que a identificava como o local onde morrera o autor de e dizia, já nessa altura, que estava a tentar sensibilizar o executivo de Rui Rio para que protegesse o edifício e ali instalasse uma casa-museu dedicada ao poeta.
Em 2015, o escritor avançou mesmo com uma petição online, que chegou a reunir 566 assinaturas, e era dirigida a Rui Moreira e ao então vereador da Cultura, Paulo Cunha e Silva, pedindo que a autarquia mobilizasse “todos os meios para impedir o desaparecimento um importante rasto físico da passagem daquele que foi um das grandes figuras da literatura portuguesa de todos os tempos”.
“A nosso ver a classificação do imóvel como de interesse publico, ou mesmo municipal, como primeiro passo na salvaguarda do edifício, poderá constituir medida imediata para o efeito, e o precioso espólio do autor do , propriedade da autarquia, guardado na biblioteca pública municipal, bem poderá vir a ser adequadamente alojado nesse espaço, uma vez restituída a memória de todos nós”, referia-se no texto da petição.

domingo, 3 de junho de 2018

Festa no Sarge - 55.º aniversário

Festa no Sarge em honra do Sagrado Coração de Jesus
Domingo, 3 de Junho, dia de procissão
Do programa para hoje:

14:30h - Banda da Sociedade Filarmónica Olhalvense

15:30h - Missa Solene por alma dos sócios falecidos

16:30 h - Procissão pelas ruas da localidade

18:00h - Abertura da quermesse

18:00h - Actuação da banda no arraial da festa

22:00 - Baile com o conjunto musical

                                      SÓNIA E RICARDO

O dia era de boa luz, mas no Sarge as nuvens esqueceram-se a gozar o sol e não deixavam os raios  passar… É o único dia de procissão, assim, que conheço. Nem parecia Verão. 

A procissão saiu do templo, atravessou o terreiro, tomou a Rua da Capela, entrou na Estrada Nacional n.º 115-2, e foi subindo até à Rua de Santa Maria, continuando pelas de S. Miguel, da Boavista, Estrada Nacional, com passagem pela sede da UDRC (União Desportiva Recreativa e Cultural) do Sarge, cafés Chaminé, O Migalhas e Arco-Íris. Aqui, deixa o Largo Jaime dos Reis e avança à direita pela Rua da Escola até ao edifício que lhe deu o nome, com passagem para a Rua da Capela, a cerca de duas dezenas de metros da entrada para o adro  da pequena igreja. Nesta, o Sr. Padre George Paikada disse algumas palavras ao povo presente e ouviu-se um coro cantar o seu amor ao Sagrado Coração de Jesus.
Terminada a procissão, a Banda da Sociedade Filarmónica Olhalvense, tocando marchas, dirigiu-se ao recinto do arraial. Aí chegada, ofereceu «modas» ao gosto popular, uma ou outra lembrando as lides tauromáquicas..., acordando, alegrando. É festa!...
Para concluir, quis saber o nome de uma das marchas, a primeira executada à saída da procissão, de que muito gostei. Procurei o maestro no arraial e me disse com o seu ar sorridente:
— Marcha de procissão de S. Martinho.
Aqui a deixo, pesquisando no youtube, esperando que seja a mesma. Bonita é ela, sem dúvida.