sábado, 25 de abril de 2015

A Senhora d'Aires

1

A Senhora d'Aires, com arranjo de Fernando Lopes Graça, na interpretação do Coro Sinfónico Lisboa Cantat, dirigido por Jorge Carvalho Alves

Na interpretação do Coro Sinfónico Lisboa Cantat, ouçamos a beleza e como primazia das vozes femininas e a limpidez, precisa, em tom suave, mas audível das vozes masculinas. Perfeita harmonia.























  
(Clique na pauta, para melhor definição)

A Senhora d’Aires
De ao pé de Viana
Tem o seu altar
Feito à romana

       2

 (Senhora d'Aires, pelo Grupo Coral Os Almocreves, Amieira, Portel)

Eu vi minha mãe rezando
Aos pés da Virgem Maria
Era uma santa escutando
(i) O que outra...a santa dizia

E ó (a) Virgem, Senhora d'Aires
Foi metida num (o) deserto
Em chegando a mocidade, me paré(ce)
És um céu aberto

Me parece o céu aberto
Com toda a sua gentinha
Fui solteiro, vim casado,
Foi mila-agre da santinha

Foi milagre da santinha
Foi milagre do Senhor
(E) ó Virgem, Senhora d'Aires,
Tão linda, vai no seu andor

Nossa Senhora é mãe
É mãe de quem mãe não tem
Quando minha mãe morrer,
(i) ela (i) é minha mãe, também

E ó (a) Virgem, Senhora d'Aires
Foi metida num (o) deserto
Em chegando a mocidade, me pare(ce)
És um céu aberto

Me parece o (um) céu aberto
Com toda a sua gentinha
Fui solteiro, vim casado
Foi mila-agre da santinha

Foi milagre da santinha
Foi milagre do Senhor
(E) ó Virgem, Senhora d'Aires
Tão linda, vai no seu andor...


3



Páginas 91 e 92 do CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS, de Michel Giacometti, com a colaboração de Fernando Lopes-Graça, Lisboa, Círculo de Leitores, 1981.

A Nossa Senhora d'Aires
 'stá metida num deserto.
Em chegando a mocidade
parece um céu aberto.
Parece um céu aberto,
com toda a nossa gentinha,
Fui solteira, vim casada,
foi milagre da Santinha.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Viana do Alentejo

Antigamente chamada Viana de a par de Alvito. Lembra Vila Viçosa pela parte monumental que ostenta, qualidade e beleza das casas e desenho urbanístico. Impõe-se-nos, imediatamente. O perímetro do castelo, mais do que a função militar de defesa, quer ser um palácio, habitação de nobre. As torres, com coruchéu cónico dão grande graciosidade.
As folhas informativas são frente e verso do mesmo folheto, oferecido na loja situada em sala fronteira à Igreja da Misericórdia, ligados os dois espaços pela passagem que leva ao recinto do castelo. Os nossos agradecimentos, pela atenção dispensada.
Complementar com:
Segundo a tradição historiográfica, o Castelo de Viana do Alentejo será obra do início do século XIV, em reinado de D. Dinis. Com efeito há notícia, a partir de uma carta de D. Afonso V, solicitando o treslado da carta original de D. Dinis de 1313, de que o monarca contribuiria para a edificação de “cerca de muro em que seia a villa de quatrocentas braças em o qual luguar que lhes El Rey mandar e colham demtro a fonte gramde de que se agora serve a vila e o muro deve ser de huma braça em amcho e em alto poder atanger um cavaleiro em cima de um cavalo(...) [E terão] de fazer tres portas (...) e fazer em cada porta dous cubelos boons huumda huma parte da porta e outro da outra. E o dito Senhor El rey por esto da lhe loguo em ajuda mil libras(...)” (Leitura Nova, Livro n.º 3 de Estremadura, fls. 32 v. – 33 v. (L.º 3 de Guadiana, fl.193). Ler mais...




O Posto de Turismo, na sala em frente. A foto foi tirada da igreja da Misericórdia. Rosácea em «Renda Sol» - Instalação é um projecto OFICINA DO FELTRO, com coordenação de Diana Regal e execução de Elisa Pinto.

Esta exposição, um projeto Oficina do Feltro, surge no âmbito do Ciclo de Exposições, promovidas pela Câmara Municipal e pela Junta de Freguesia local, com o apoio da Direção Regional de Cultura.
A exposição estará patente até ao próximo dia 17 de maio.
(De http://agenda.cm-vianadoalentejo.pt/index.php/Eventos/details/431-exposicao-rosacea-em-renda-sol)
      Sobre a «renda sol», ver mais, aqui, no final.

Viana do Alentejo - arte urbana

O mural de Viana do Alentejo

O mural, comemorativo dos 40 anos do 25 de Abril de 1974, foi recuperado, pelo menos, já duas vezes. Conversei um pouco com o dono do espaço, estava ali. Contou que inicialmente o painel tinha mais um lanço, agora ocupado pelo portão que mandou abrir do lado da Rua António José de Almeida. Do que lá estava, pesquisei e algo encontrei na internet. Pode-se ver, abaixo, depois do asterisco, imagens mais antigas, onde se vê que havia um lanço relativo a Timor, no espaço onde está agora a árvore e o campo, linha verde a desenhar a planície. O último lanço ou tramo está coberto com cartazes de touradas e não se percebe o que lá estava.




Na recuperação deste painel, entrou uma gralha que lá não tinha pousado: o acento em «à» - «é rubra à nossa bandeira» -, imitando a maneira de falar, que aglutina o «a» de rubra ao «a» seguinte. Embora uma transgressão, vem aumentar a ingenuidade, a sinceridade emitida pelo quadro.




Assinatura do último painel, a contar da esquerda
*

Imagens colhidas em Setembro de 2010
Festival Vidigueira 2010, lê-se no cartaz que ocupa parcialmente o tramo de Timor; o último espaço está tapado por cartazes de tourada na Vidigueira, 2010

Esta fotografia e as duas seguintes foram tiradas do  ephemera, de jpp, com a devida vénia
Clicando nas imagens, no ephemera, consegue-se maior ampliação e nitidez
A mensagem foi publicada por JPP, em 25-10-2013

 

Esta imagem ganha melhor compreensão, clicando nela no ephemera. As mãos segurando o arame farpado... No último tramo, cartazes de tourada em Viana, num domingo, 22 de Setembro. 

A igreja matriz de Viana do Alentejo

2 de Abril
O portal axial da igreja matriz deixa-nos a pensar na perfeição e equilíbrio da arte grega clássica, num plano de igualdade. Para bem integrar no texto em que Túlio Espanca descreve a fachada, sem contar com a pequena introdução em letra miúda (uma dúzia de linhas), também importante, aqui deixamos uma descrição integral.

DESCRIÇÃO: As fachadas laterais e a cabeceira, robustecidas de torrinhas cilíndricas rematadas por coruchéus cónicos e cogulhos graníticos, desenvolvidas num jogo movimentado de arcobotantes que dividem os tramos, terminam por coroamento ininterrupto de ameias chanfradas. Este jogo equilibrado e gracioso de perspectivas é axialmente iluminado por opulento portal flanqueado de botaréus angulares, de andares e gárgulas zoomórficas, ainda esculpidas na arte gótica, que preenche o espaço elevado do arco redondo, de dossel, que constitui a varanda da sineira. Lavrado em calcário da região, desenvolve-se no espaço correspondente à nave central e dispõe-se em arcatura geminada, de vãos e mainel torsos, bases e capitéis típicos do estilo nacional. Envolvente e de maior volume, um segundo arco de meio ponto é circundado e sobrepujado por arco de carena formado por dois troncos enroscados, emergentes de pilares que ladeiam e emolduram o conjunto. Na cimafronte dominam as empresas régias: o escudo de coroa aberta, esferas armilares e, sotoposta, no medalhão floreado do tímpano, a Cruz da Ordem de Cristo. Todo o conjunto assinala, com evidência, a marca decorativa de Diogo de Arruda, utilizada, evidentemente, com outra exuberância e plenitude na Sala do Capítulo do Convento de Tomar, c.ª de 1515. Dessa temática exótica avultam, além dos elementos naturalistas dos troncos, o camaroeiro de D. Leonor, estilizado, as faixas enroladas, em espiral, os encanastrados das bases, animais selvagens e domésticos, anjos músicos, figuras humanas, de onde se destaca, no capitel compósito da face esquerda do observador, S. JORGE A CAVALO LUTANDO COM O DRAGÃO e, ainda, nos fechos laterais, as urnas preanunciando o estilo da Renascença.
Superiormente rasga-se a fresta emoldurada, a que falta o vitral antigo e, na platibanda do terraço, precedido de grande arco // de meio ponto, avulta o campanário, de dois andares e três olhais lanceolados, de pedra e frontão triangular, muito agudo e rematado pelo sinal do Redentor, de ferro forjado. Nele se dependuram dois sinos de bronze fundido, destinados aos sinais da igreja, que apresentam as seguintes inscrições: sino maior: 1856 (grande cruz gravada, estrelóide e dos cravos do Martírio de Jesus). Sino menor: JOSE / GOMES / ME FES / 1760 (Cruz gravada, de andares, com estrelas e pontas decoradas por vieiras como símbolo do APÓSTOLO S. TIAGO).
Num degrau de acesso ao campanil existe o fragmento de uma sepultura epigrafada, de letra gótica e de difícil leitura.
No corpo lateral, Norte, do monumento, abre-se a segunda porta pública, concebida no mesmo estilo, mas de manifesta simplicidade, com verga trilobada, jambas chanfradas e repisa florenciada.
Junto dela levanta-se a caixa externa da CAPELA DOS REIS, concebida em planta quadrangular, de cunhais de pedra facetada, gárgulas de canhão, bem esculpidas e cortina de ameias chanfradas e torrinhas cónicas, decoradas por cordões e cogulhos.
(Túlio Espanca, INVENTÁRIO ARTÍSTICO DE PORTUGAL, DISTRITO DE ÉVORA, I VOLUME, IX, Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1978, p. 417, cols. 1 e 2)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

BANKSTERS - HOMENAGEM A VASCO GRAÇA MOURA

Domingo de Páscoa, 5 de Abril
No Teatro-Cine, de Torres Vedras, 16 horas

Bankster, Banksters, palavra formada, a partir de banker(s) e gangster(s). Foi usada em 1933 pelo juiz Ferdinand Pecora, responsável pela investigação sobre as práticas de Wall Street que conduziram ao crash de 1929 (ver, aqui), embora tivesse aparecido na imprensa dos E. U. A., um ano, um ano e meio antes.
Foi muito agradável este espectáculo de ópera. Melhor, ainda, seria se, em vez da versão de concerto, tivéssemos assistido à versão integral, como se pôde ver no Teatro Nacional de São Carlos em 2011 (estreia no dia 18 de Março). E gostaria de poder adquirir o libreto, com todas as falas.
Dito isto, reproduz-se abaixo, com a devida vénia, o pequeno caderno com texto de Afonso Miranda e sinopse da acção.
As grandes companhias internacionais e a aparente falta de suficiente controlo das suas actividades, a existência de paraísos fiscais, perante a muito provável impotência dos Estados, são situações de todos conhecidas e que a quase todos assustam. Mas, mais... O material e o imaterial, digamos o espiritual, estão juntos, numa ópera sobre a vida moderna e a dimensão trágica de todos os tempos.







*
Ópera Banksters - Homenagem a Vasco Graça Moura (pág. da C. M. de T. Vedras, na net)