10 de Junho
A primeira foto tirada às 07:50. Um ou
outro caso tem a indicação das horas, pois desloquei-me várias vezes ao local,
para melhor explorar certos pontos e esclarecer dúvidas. O único caso de data
diferente é o do dia seguinte, em lugar devidamente assinalado.
No dia 9, ia passando, fui surpreendido com
os bidons todos pintadinhos que era um gosto ver. Mais. Tinham coisas bonitas,
pinturas, mensagens escritas, suportavam esculturas. Uma jovem professora – responsável, vim a saber – apresentou-se delicadamente, indagando do meu
interesse, que lhe pareceu manifesto. Conversámos um pouco.
Tenho a dizer que fiquei muito contente
com este trabalho de alunos/as da Escola Secundária ARTES, 11.º e 12.º G. A
educação é um trabalho fundamental, na criação de pessoas melhores, não só com
preparação para a vida activa, mas com isso e acima disso, cultivando valores.
Esta exposição deixa mais valioso quem lhe deu corpo e a ajudou a ter lugar.
Tem também um papel positivo na promoção da cidadania, pouco ou muito, mesmo
naqueles que quase não darão por ela.
Bem haja a Escola Henriques Nogueira, quem
orientou e a gente, raparigas e rapazes, do 11.º G e do 12.º G.
Vivam o 11.º G e o 12.º G!
*
Afinal, havia outro núcleo, além do da
Avenida 5 de Outubro. Junto à esplanada do Império e no contíguo Largo da
Havaneza (antigo do Outeirinho), a exposição abre-se-nos através de expositores / portas.
Portas que se abrem e libertam ou aprisionam. Ambos os núcleos alertam para a violência no namoro e para a violência doméstica.
Duas das portas apresentam num dos lados
uma cortina ou ecrã que permite apresentar outra mensagem, dando ao conjunto
frente e verso da porta um sentido algo diferente. Se o ecrã estiver recolhido,
a mensagem é mais dura.
Diga-se que a reflexão que aqui fica
patente é amadurecida, aberta. Se é de diálogo, compreensão, amor e respeito
pelo outro que se trata, é bom olharmo-nos, aceitarmo-nos e tentar ver. É
chamada a atenção para o facto de que a violência pode vir deles ou delas. Isso
não está esquecido, embora pareça claro que as mulheres estão, ainda, perdedoras.
Nesses casos, sinto-me também perdedor e envergonhado.
Aqui fica este álbum, para memória, pois a
exposição é transitória e esta, uma maneira de a salvaguardar.
Agradeço aos que a ergueram.
(A leitura das imagens é de cima para
baixo e da esquerda para a direita)
Na Avenida 5 de Outubro
15:27
15:30
07:50
*
Junto à esplanada do Império e Largo da Havaneza
Junto à esplanada do Império
08:30
08:30 15:36
08:32
19:48
(no jornal Badaladas, n.º 3206, 16Jun2017)