Este blogue é um campo para desbravar, aparelhar pedras, preparar materiais, desenvolvendo aspectos de mensagens de aterraeagente, podendo também iniciar assuntos, independentemente desta ligação.
Ficam aqui algumas imagens, com a devida
vénia ao google, acrescentando informação sobre um dos pontos focados em
mensagem dea terra e a
gente.
Quem estiver
interessado, pode explorar textos e imagens indicados, abaixo, em Referências. [Captura das sete primeiras imagens, de Março 2015; nas duas últimas, copyright de 2018]
Muro-mostruário
Muro-mostruário
Vista de interior da fábrica, com operários no seu posto de trabalho e o fundador, à frente e à esquerda, de bengala
No passado dia 5 estive em Évora e ao passar junto à
Livraria Salesiana vi numa das montras o anúncio da Procissão da Senhora da
Saúde, que já não se fazia há 45 anos. Logo ali decidi voltar no domingo...
Como estudante, não foi possível conhecer a cidade no tempo de férias.
Antes de me me dirigir para a Praça do
Geraldo (ou de Giraldo, como diz na placa), estive junto da Livraria Salesiana
a colher mais imagens e fiz a parte do percurso desta zona da Porta Nova até à
igreja de Santo Antão. O centro histórico está menos povoado, o que há-de ter
alguma influência na visibilidade da presença das pessoas e seus sinais nas
varandas, nas casas e no carácter mais ou menos repleto da «Praça Grande».
Podemos olhar para a fotografia apresentada de uma procissão (algures entre 37
e 73 do século XX) e comparar com o que vimos. Há diferenças, naturalmente...
Ao fim de uns dias a meditar nestas
coisas, descubro que, afinal..., surge-me a lembrança de uma procissão junto à
Porta Nova a dirigir-se para o largo junto ao café Portugal, perante algum
desinteresse da minha parte, devo confessar... Só pode ter sido esta de Nossa
Senhora da Saúde, que pensei nunca ter presenciado, quando vi o cartaz da SOLENE
PROCISSÃO / N.ª S.ª da SAÚDE e outro, com a frase «É hora de retomar a
tradição!», e, abaixo dela, o lindo, delicado poema a Nossa Senhora da Saúde,
de Manuela Leitão. Em 1963, quando o aluno do 5.º ano se demorava na cidade em
Julho, para fazer as provas de exame do 5.º ano.
Vai sair a procissão. Nossa Senhora da
Saúde, com o Divino Infante no braço direito, capta todas as atenções. A imagem
tem grande beleza, a «roca e véstia de rica tecelagem de seda bordada a oiro»*. O Sr. arcebispo debaixo do pálio ostenta
nas mãos o Santíssimo Sacramento. A banda de música, pronta para encher o ar,
os espíritos, solenizar, sublimar, aprofundar a emoção. Antes, porém, no adro,
um fadista canta à Virgem, as palavras e o acompanhamento ampliados pela
aparelhagem sonora. Que bem se casa o fado com o tema religioso!...
Terminado o cortejo pelas ruas de Serpa
Pinto, dos Caldeireiros, de Santa Catarina, de Gabriel Pereira, de São
Domingos, Praça de Joaquim António de Aguiar, Rua de Elias Garcia, de São João
de Deus e Praça do Geraldo, é hora de voltar a casa. Desta vez, uma fadista
canta em modo fado-oração uma verdadeira prece à Virgem, assim se vendo os dois rostos da humanidade, o do homem, o da mulher ou simplesmente o rosto da pessoa, homem ou mulher. Diante do portal, os
jovens militares do exército que carregam o andor dão uma volta e a Senhora
fica de costas para a igreja e de frente para o povo, na despedida, e assim vai
entrando...
Na breve cerimónia de encerramento,
presidida pelo arcebispo de Évora, Dom José Alves, houve agradecimentos a
quantos estiveram envolvidos na organização, incluindo
fadistas-guitarristas..., sendo referido o desafio enfrentado pelo pároco,
cónego Manuel Madureira, no reatar desta tradição. Valeu a pena...
* Túlio Espanca, no Inventário Artístico de Portugal / Concelho de Évora
Ao fundo, a arcada, junto ao Largo de Camões. À esquerda, onde era o café Portugal, está agora uma loja de comércio «pegue e leve», PULL AND BEAR»
O largo - troço da Rua de João de Deus - visto no sentido da Praça do Geraldo
Santíssimo Sacramento
Rua de João de Deus, vista já perto da igreja de Santo Antão
A Praça do Geraldo
Rua Nova, vista do alçado nascente da igreja de Santo Antão
1973
foi o último ano em que houve em Évora-Paróquia de Santo Antão a procissão de
Nossa Senhora da Saúde. Na quinta-feira passada, estando em Évora, vi numa
montra da Livraria Salesiana esta informação, sotoposta a fotografia a preto e
branco da igreja e Praça do Geraldo, cheia de gente..., de ano entre 37 e 73.
Um cartaz anunciava a Solene Procissão, «com participação das forças militares
e militarizadas» e indicava o percurso. Folha grande encostada, reclinada sobre
capa azul turquesa, servia de legenda à fotografia. «É hora de retomar a
tradição» — aí se diz, como se fosse título para o soneto que segue, bonito,
delicado e dirigido à Senhora da Saúde, «(...) mãe amorosa, comovida / Por
quantos sofrem (...)», «(…) candeia de graças sempre acesa / No Amor que
transforma e que redime».
Logo
decidi voltar no domingo, para não perder o reatar da tradição ao fim de
quarenta e cinco anos. Não podia guardar para o ano que vem. Malogradamente, a
gravação de som estava desactivada... [Descrição no YouTube]
Este
pequeno vídeo mostra a procissão descendo pela Rua de Serpa Pinto (antiga de
Alconchel), antes de virar à direita, entrando pela Rua dos Caldeireiros. As
imagens estão prejudicadas pela forte contra-luz e o todo ressente-se. Quis
gravar boa parte da marcha com que abriu a procissão; malogradamente, o som
estava em off, daí parecer que se está sempre a gravar as mesmas imagens. Ouvir
a banda nestes momentos, após um longo de período de quarenta e cinco anos em
que a procissão não saiu, causou-me profundo sentimento...
São
vivências que um estudante não teve, pois esta, como a Procissão do Senhor
Morto, por exemplo -- na Páscoa, à noite, do convento do Calvário para a igreja
da Misericórdia, num curto e demorado percurso --, eram no período de férias...
O
percurso: Ruas de Serpa Pinto, dos Caldeireiros, de Santa Catarina, de Gabriel
Pereira, de São Domingos, Praça de António Augusto de Aguiar, Rua José Elias
Garcia, Rua de João de Deus, Praça de Giraldo, Igreja de Santo Antão. [Descrição no YouTube]
Inicia-se a descida da Rua de Serpa Pinto (antiga de Alconchel)
Rua de Serpa Pinto
À direita, o edifício do INATEL
Rua dos Caldeireiros
O cortejo, na Rua dos Caldeireiros; deixamos para trás a Rua de Serpa Pinto
Do outro lado da Rua de Serpa Pinto, em frente ao INATEL
Rua dos Caldeireiros; a cabeça da procissão já entrou na Rua de Santa Catarina
Rua de Santa Catarina
Rua de Santa Catarina; à direita, estamos já na Rua de Gabriel Pereira
Pela
Rua de Gabriel Pereira...
Na
primeira casa em que se vêem colchas viveu Gabriel Pereira, ilustre eborense,
com vasta e valiosa obra publicada. Tem uma rua com o seu nome, também, em
Torres Vedras, aonde veio e lhe foi prestada homenagem organizada pela Câmara
Municipal, em reconhecimento de alguns textos muito interessantes para nós hoje
sobre as gentes de Torres Vedras e da região. (Em «Torres Vedras / Notas d'arte
e archeologia», páginas 255 a 305, de Pelos suburbios e visinhanças de Lisboa,
1910, edição da Livraria Clássica Editora, Lisboa) [Descrição no YouTube]
Deixada para trás a Rua de S. Domingos, junto ao antigo quartel-general, estamos na Praça de Joaquim António de Aguiar
Ao fundo, o Teatro Garcia de Resende
Criança, aí vi o filme Lazarella...
Na
Praça Joaquim António de Aguiar (antigo Largo de São Domingos). A procissão
segue depois o seu caminho, pelas Ruas de Elias Garcia, João de Deus, circunda
a Praça do Geraldo, regressando à Igreja de Santo Antão. Diante do portal, o
andor faz um giro e a Senhora da Saúde entra na igreja voltada para o povo. [Descrição do YouTube]
À esquerda, o pároco, Sr. cónego Manuel Madureira
***
A Senhora da Saúde, na sua capela e nicho
(Imagens de 15-10-2016)
Capela de Nossa Senhora da Saúde (antiga de S. Roque)