sexta-feira, 13 de outubro de 2017

TEATRO THALIA

        Esta mensagem, para além da divulgação que em si mesma oferece, pode complementar as que vêm publicadas noutro lugar sobre o THALIA e a exposição Viagem ao Invisível, que nele teve lugar.
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_T%C3%A1lia

Teatro Tália

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Vista da fachada principal do Teatro Thalia
O Teatro Tália ou Teatro Thalia, mais conhecido por Teatro das Laranjeiras, foi um pequeno teatro, inicialmente pertença de Joaquim Pedro Quintela, 1.º conde de Farrobo, situado na Estrada das Laranjeiras, Laranjeiras (Lisboa), nas imediações do actual Jardim Zoológico de Lisboa. Apesar da sua pequena dimensão (560 espectadores), foi um dos principais teatros lisboetas do século XIX, onde actuaram as grandes figuras do panorama musical dessa época. Hoje, é um dos locais de concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa.
Construído em 1825, foi reedificado e renovado no ano de 1842, segundo um projecto do arquitecto Fortunato Lodi. Em 1862 o teatro foi praticamente destruído por um incêndio ocorrido a 9 de Setembro, só tendo sido poupada à destruição a fachada. Já no Século XXI, os ateliês de Gonçalo Byrne Arquitectos e Barbas Lopes Arquitectos, efectuaram o projecto de recuperação do edifício[1].
Na fachada do teatro pode ver-se a inscrição "Hic Mores Hominum Castigantur" (Aqui serão castigados os costumes dos homens)[2].
Em 1974, o edifício foi classificado como Imóvel de Interesse Público[1].
A denominação Teatro Thália não é a original. No dia da inauguração deste teatro, em 26 de fevereiro de 1843, com um espetáculo a que assistiu a Rainha D. Maria I, o libreto então publicado com o título da produção e o respectivo elenco, é inequívoco ao designá-lo por “Theatro das Laranjeiras”.   Como não pode haver dúvidas que o momento da inauguração de um teatro é fundacional e a designação adoptada foi “das Laranjeiras”, não é natural que tivesse mudado depois. A mais antiga referência a este teatro como “Thália” parece ter sido feita por Pinto de Carvalho, tardiamente, já em 1898[i].  Mas outras fontes da mesma época, como Fonseca Benevides[ii], ou Sousa Bastos[iii], usam o nome original: Teatro das Laranjeiras.  É possível que a designação “Thalia” tenha resultado de uma qualquer efabulação no fim do século XIX, para acrescentar pitoresco. E que depois, no mesmo espírito, se terá ido replicando. A recente remodelação desta construção como espaço de eventos, oficializando o nome Thalia, também veio reforçar e expandir aquela designação.

Bibliografia

  • CARNEIRO, Luis Soares - Teatros Portugueses de Raiz Italiana. Tese de Doutoramento apresentada na FAUP, Porto, FAUP, 2002.
  • CARVALHO, Pinto de (Tinop) - Lisboa d’outros tempos. Lisboa: Livraria Antonio Maria Pereira, 1898-1899, 1º Vol. p.107.
  • BENEVIDES, Francisco da Fonseca - O Real Teatro de S. Carlos de Lisboa. Estudo histórico por Francisco da   Benevides. Lisboa: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1993. Edição fac-similada da original de 1883 (parte 1); e de 1902 (Parte 2).
  • BASTOS, Sousa - Dicionário de Teatro Português. Coimbra: Minerva, 1994, p.347. Edição fac-similada da original, de 1908.

Referências



  • Duarte Ivo Cruz. «TEATRO DAS LARANJEIRAS (TEATRO THALIA)». Centro Nacional da Cultura. Consultado em 4 de Junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de Junho de 2014

    1. «Reconversão do Teatro Thalia, Lisboa». Arq'a (Arquitectura e Arte Contemporânea). Fevereiro de 2013. Consultado em 4 de Junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de Junho de 2014

    Ligações externas

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    TEATRO DAS LARANJEIRAS (TEATRO THALIA)
    Distrito : Lisboa
    Concelho : Lisboa
    TEATRO DAS LARANJEIRAS (TEATRO THALIA)
    Património Classificado:SimClassificação:Imóvel de Interesse Público;Proteção Jurídica:Dec nº 735/74 DG 297 dd 21/12/1974Proprietário/Instituições Responsáveis:Ministério da Educação e Ciência
    Descrição Histórica/Artística
    O Teatro que o Conde de Farrobo instalou junto do Palácio das Laranjeiras, hoje edifico oficial ligado pelos jardins ao Jardim Zoológico de Lisboa, surge referido na literatura especializada como Teatro Thalia ou Teatro das Laranjeiras. Em qualquer caso, o que realmente interessa é que o velho teatro, inaugurado em 1825, modificado em 1842 sob a traça de Francisco Lodi e destruído, em 9 de setembro de 1862 por um incêndio, que só poupou a fachada de belo estilo clássico, é reconstruido e restaurado em 2012, segundo projeto de arquitetura de Gonçalo Byrne e Barbas Lopes, o qual manteve as reminiscências do projeto inicial, designadamente a formidável fachada, devidamente restaurada.

     O conjunto polivalente servirá de apoio a todas as espécies de espetáculo. E repare-se numa  curiosa cronologia: o Teatro começa a ser construído cerca de 1820; é inaugurado em 1825;  arde em 1862; renasce em 2012 exatos 150 anos depois. E o resultado é um edifício eclético, com o  mérito da modernidade conciliada com o restauro da fachada e a conservação do que restou do teatro primitivo do Conde de Farrobo.

    O Palácio das Laranjeiras, hoje edifício oficial, foi habitado pelo Conde de Farrobo, e posteriormente pelo Conde de Burnay, que iniciou a instalação, na quinta anexa, do Jardim Zoológico. Nele se realizaram nos anos 20 do século passado os bailados da Condessa de Castelo Melhor a que esteve ligado Almada Negreiros. O Conde de Farrobo, Joaquim Pedro Quintela, herdou do pai o titulo de barão de Quintela, depois “promovido” a Conde de Farrobo. Mas já o pai surge envolvido na edificação do Teatro de São Carlos, inaugurado em 1793. O filho seguiu-lhe as pisadas, como veremos adiante.

    Morreu arruinado em 24 de setembro de 1869. E pode ter contribuído para essa decadência, ou foi símbolo dela, o incêndio do Teatro, ocorrido em 9 de setembro de 1862, exatos 42 anos após o inicio das obras do teatro. Eduardo de Noronha conta que nessa madrugada fatídica, foram acordar o Conde, então a residir no chamado Palácio Quintela, na Rua do Alecrim. Perguntou se havia mortes ou danos pessoais e, tranquilizado a esse respeito, despediu quem o informava e continuou a dormir… ou pelo menos a fingir que dormia! E já estava semiarruinado.

    O teatro foi inaugurado com uma ópera hoje esquecida, “II Castello de Spiriti” de Mercadante, compositor e maestro então responsável pelas temporadas de ópera que Farrobo durante décadas organizou, e em não poucas  participou, como executante - foi aluno de Domingos Bomtempo em composição e tocava contrabaixo - ou  como cantor, acompanhado por vezes no canto pela própria Condessa. Tal como noutro lado recordo, como mero exemplo da vida cultural e mundana de Farrobo no seu teatro, as Memórias do Marechal francês Castellae, recebido nas Laranjeiras, referem enfaticamente “uma festa espaventosa, que seria por ele comparado às Tulherias do primeiro Império”. 

    De assinalar que o repertório tinha qualidade e certa modernidade para a época: Rossini, Donizetti, Auber. E os cantores eram do melhor que vinha a Lisboa.

    Refira-se aliás que Farrobo foi episódico diretor do Conservatório. O pai, já vimos, surge elencado entre os fundadores do Teatro de São Carlos. E o Conde esteve envolvido na gestão do  São Carlos e surge também ligado a Garrett e a Passos Manoel na criação do que viria a ser, em  1846, o Teatro de D. Maria II.

    Ana Isabel P. T. de Vasconcelos evoca aliás a presença frequente de Passos no Palácio e no Teatro das Laranjeiras, e recorda a colaboração dos cenógrafos Rambois e Cinatti, do melhor que havia na época a nível europeu. Cita Francisco Cancio, que descreve com pormenor uma  receção a D. Maria II e remete ainda para Fialho de Almeida.

    E finalmente, refere-se aqui também Raul Proença, que evoca “um grandioso teatro para 360 espetadores, com salão de baile revestido de espelhos e, desde 1830, iluminado a gás, o que era  grande novidade para o tempo”…

    Veremos o que vai fazer-se, em matéria de arte e cultura, no novo Teatro Thalia das Laranjeiras.

    DUARTE IVO CRUZ


    Morada:Estrada das Laranjeiras

    1600-134 Laranjeiras
    Fonte de Informação:Duarte Ivo CruzBibliografiaSousa Bastos - "Dicionário do Teatro Português" - 1908;
    Raul Proença - "Guia de Portugal - Lisboa e Arredores" - 1924;
    Eduardo de Noronha - "O Conde de Farrobo - Memórias da sua Vida e do seu Tempo" - 1945;
    Francisco Câncio - "Lisboa no Tempo do Passeio Público" - 1962;
    Ana Isabel P. Teixeira de Vasconcelos - "O Teatro em Lisboa no Tempo de Almeida  Garrett" - 2003;
    Duarte Ivo Cruz - "História do Teatro Português" - 2001 e "Teatros de Portugal" - 2005;
    Sandra Leandro e Fernando Mota de Matos - "Palácio Quintela ou Farrobo/Teatro Tália/ Jardins", in "Portugal Património" vol. VI - 2006: - "Reconversão do Teatro Thalia" - in "Revista ARQA" - janeiro/fevereiro 2012
    Data de Actualização:27-08-2013

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