quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A língua portuguesa em Portugal

            «A propósito de um texto, aqui, de António Rechena

Lembro-me de ver e ouvir o vídeo de Pilar del Rio (nome bonito ninguém lhe tira  «pilar» em castelhano significa «fonte») na sede da Fundação José Saramago a ensinar-nos, irritada e irritanta, que se devia dizer «presidenta» e não «presidente» e, aí, irritado e talvez irritanto, tanto, muito, fiquei eu... Falta de conhecimento da língua portuguesa não tem a tradutora de José Saramago!

Em Portugal, «presidenta», «chefa» e casos semelhantes, postos militares  a que não se acrescenta um «a» final , só se usam com sentido de brincadeira (tom jocoso ou de carinho) e depreciativo. O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa (ed. Verbo) regista «presidenta», «1.Deprec. 2. Fam. e Pop. Mulher que desempenha as funções de presidente».

Mas há «infanta», que, não contente de estar igualada com os irmãos se veio a separar. Da antiga irmandade plena dos infantes, filhos de rei eles e elas, ainda há memória no Vale da Infante, a seguir a Estremoz na estrada para Redondo...

Outra importante palavra, «fim», inscrita no túmulo de D. Pedro no mosteiro de Alcobaça, cansada de ser feminina, migrou para o lado masculino. AQUI ESPERA A FIN DO MUNDO – é uma interpretação da inscrição, não havendo dúvidas quanto a «a fim do mundo».

A língua é, assim, um rio que vai assimilando as margens sem nos pedir licença.

Não a forcemos.»

(Publicado, primeiro, na página do Facebook, «Cidadãos contra o Acordo Ortográfico». O texto de António Rechena inclui um outro que lhe foi enviado por José Riobom)

P. S.  O que atrás fica dito não visa o acordo ortográfico, a não ser na medida em que não o aplica. Todavia, sem o referir, esteve presente no meu espírito, na preocupação de defesa da língua. 

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