sexta-feira, 9 de outubro de 2015

António Costa: um goês, primeiro-ministro para Portugal?

Há dias, um amigo enviou-me um mail com um artigo de Vivek Meneses do jornal THE TIMES OF INDIA. Achei interessante. Em Goa, o passado persiste, e a língua portuguesa? Em Lisboa, às vezes parece que estamos numa certa Índia, tal é a apetência pelo inglês onde não haveria necessidade.
O artigo é simpático para António Costa, independentemente das simpatias políticas de quem ler. Uma figura a conhecer é a do seu pai, Orlando da Costa.
Aqui vai o linque para o artigo, mai-la tradução, que é uma boa maneira de ler o texto sem ser pela rama e ir aprendendo inglês.
— Mas, gosta de inglês?
— Se gosto!
Para ter uma ideia do jornal THE TIMES OF INDIA, clique no linque, abaixo, e saia da página «Goa», clicando em «home».
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THE TIMES OF INDIA             Goa
António Costa: um goês, primeiro-ministro para Portugal?
Vivek Meneses, TNN | Out. 3, 2015, 02.13 AM IST
Deverá haver figas nestas praias distantes no domingo, 4 de Outubro, quando das eleições para todos os 230 lugares no parlamento português, a Assembleia da República[1].
A coligação de centro-direita de Passos Coelho no poder enfrenta um desafio poderoso que há anos tem vindo a amadurecer, de António Costa, o popular e carismático presidente da Câmara de Lisboa, por três mandatos, do Partido Socialista. Na balança está a história concani. O resultado pode ser o primeiro goês chefe de governo.
Costa, é o filho de 54 anos do escritor ferozmente anticolonial, o falecido Orlando da Costa, cujo clássico «O Signo da Ira» se desenrola nos arredores de Margão em que cresceu nos anos 30 e 40. Mais tarde, quando estudava em Portugal, o Costa sénior tornou-se um firme opositor da ditadura de Salazar, membro do, então fora da lei, Partido Comunista, e um bem conhecido intelectual de Lisboa que toda a vida manteve afeição e ligação à sua Goa ancestral.
O seu filho é um prodígio político. António Luís dos Santos da Costa foi ministro português dos Negócios Estrangeiros e ministro da Administração Interna. Encabeçou a lista do seu partido às eleições Europeias de 2004, serviu então na Comissão das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos, antes de se tornar um dos 14 vice-presidentes do Parlamento Europeu.
Em 2007, Costa jogou forte. Candidatou-se à presidência da Câmara de Lisboa, a peça-central agitada de uma área urbana onde vive quase 30% da população de Portugal. Depois de ganhar, imediatamente mudou o seu gabinete para a Mouraria, local notoriamente infestado de criminalidade, onde começou a ver-se livre de passadores de droga e da prostituição que costumava ser florescente em todo o lado. Esforços semelhantes foram alargados persistentemente a toda a cidade.
Lisboa transformou-se, apesar do repelão da crise económica dominante: é agora, na Europa, a grande cidade mais segura, limpa, verde e melhor para viver. O seu presidente foi três vezes reeleito.
Quando Costa ganhou o direito de liderar o Partido Socialista em Setembro de 2014, parecia certo que iria arrebatar o poder nas eleições de 2015. Mas, apesar da popularidade pessoal avassaladora do candidato a primeiro-ministro, as coisas não vieram a correr assim.
Uma razão importante é o que aconteceu na Grécia. Tal como outras eleições europeias recentes, o referendo[2] de domingo gira em torno da chamada «austeridade». Mas, ao contrário da Grécia — onde o eleitorado se rebelou contra o ajustamento económico sendo forçada no país pela ultrajante «troika» de líderes (a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) —, Portugal já sofreu três anos de austeridade punitiva e emergiu para «dizer adeus» às medidas.
Há alguns dias, o rating de crédito do país subiu mesmo abaixo do grau de investimento, uma proeza que o partido dominante está a usar para se defender da crítica sobre a recessão que continua, o desemprego recorde e uma extraordinária vaga de emigração.
O último factor também está a jogar contra Costa. Portugal está rapidamente a esvaziar-se de jovens votantes que são a sua base de apoio. Centenas de milhares de sub-30 migraram desde que a crise financeira se entrincheirou. É uma crise para o país, que pode perder dois milhões de pessoas em poucas décadas, mas é também uma crise para Costa. Quase todos aqueles votos podiam ter ido para ele, e agora quase nenhum irá. Na última eleição, apenas 20% dos portugueses a viver no estrangeiro votaram pelo correio.
Mesmo que as sondagens mostrem os incumbentes a liderar, não cometam o erro de votar contra Costa. No último debate da campanha, agilmente forçou Passos Coelho à defensiva para ganhar o dia. «Nos últimos quatro anos, o país andou para trás treze anos», disse Costa, que (embora não tendo o bigode retorcido nas pontas) se parece cada vez mais com o pai. Disse, desdenhosamente: «O governo criou uma série de empregos para enfermeiros, mas eles estão no Reino Unido, não em Portugal.»
Quando este escritor encontrou Costa num museu de Lisboa em 2014, convidou-me espontaneamente para a esplêndida Câmara Municipal do século XIX, onde retratos imponentes dos seus predecessores nos olhavam sobranceiros. Sentámo-nos no sofá ao lado um do outro e o presidente gentilmente fez perguntas tipicamente goesas sobre a aldeia de que vinha, enquanto me ia contando sobre a sua família em Margão. Então, partilhou comigo os seus sonhos sobre desenvolver muito mais fortemente conecções entre a Europa e a Índia, com Goa e Portugal a fazer ponte entre as duas grandes entidades.
Os seus olhos brilhavam de excitação. Permiti-me sonhar com um recém-eleito Costa fazendo a sua primeira viagem oficial à Índia, mesmo a Goa, sem restrições. O filho do Orlando da Costa de Margão, agora o primeiro-ministro de Portugal. Essa improvável, inacreditável curva do destino pode estar exactamente do outro lado da esquina.
O escritor é um autor e fotógrafo publicado em larga escala.






[1]  Assim, no original.
[2]  O autor usa «referendum», que se traduz por «referendo» ou «plebiscito», apresentando-se ao eleitorado uma única questão. Na eleição, como no referendo, está presente, no entanto, a ideia de consulta popular decisiva, pelo que não deixa de se entender o seu uso, aqui; as eleições seriam um referendo à austeridade, palavra usada pelo autor na mesma frase e associada ao precedente «referendo».
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Livro de Orlando da Costa, pai de António Costa e escritor, referido no artigo de Vivek Meneses. Próxima leitura.

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