sábado, 23 de julho de 2016

O Céu dos Bijagós

Percorremos por raro acaso o céu dos bijagós, como já antes havíamos percorrido as suas águas...
O voo no ar é libérrimo como o das aves que tantos anos invejámos.
Vai-se depressa e em linha recta.
Com a bruma há uma grande imprecisão no horizonte, confundindo-se o céu e o mar indefinidamente.
Depois de deixarmos a terra ensopada do Continente, entramos pela Ponta Biombo no Oceano Atlântico.
Vê-se uma grande mancha castanha, uma grande coroa de fundos barrentos: estamos sobrevoando os baixos de Pedro Álvares.
De quando em quando, do alto, vêem-se cordões de escumalha, detritos. Vêem-se também claramente as correntes, denunciadas por extensas mantas aquáticas não miscíveis.
Subitamente, do outro lado da ilha a que nos destinávamos, depara-se-nos uma fumarada de nuvens e o aparelho começa a ser sacudido. Temos de voltar para trás, aterrar na pista e esperar. Chove. O tempo dessuda-se.
No regresso, ainda pudemos admirar os campos de arroz do Biombo, óptimo quadro para um pintor cubista. Verdadeiramente belas são também as habitações, simbioticamente ligadas umas às outras, formando pequenos pátios, começos de espiral.
(Ronco, Jornal do C. I. M., Ano III – N.º 27 – Bolama, 1 de Outubro de 1970)
(Sobre as casas do Biombo ver mais neste blogue.)

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