Percorremos por raro acaso o céu dos
bijagós, como já antes havíamos percorrido as suas águas...
O voo no ar é libérrimo como o das aves
que tantos anos invejámos.
Vai-se depressa e em linha recta.
Com a bruma há uma grande imprecisão no
horizonte, confundindo-se o céu e o mar indefinidamente.
Depois de deixarmos a terra ensopada do
Continente, entramos pela Ponta Biombo no Oceano Atlântico.
Vê-se uma grande mancha castanha, uma
grande coroa de fundos barrentos: estamos sobrevoando os baixos de Pedro
Álvares.
De quando em quando, do alto, vêem-se
cordões de escumalha, detritos. Vêem-se também claramente as correntes,
denunciadas por extensas mantas aquáticas não miscíveis.
Subitamente, do outro lado da ilha a que
nos destinávamos, depara-se-nos uma fumarada de nuvens e o aparelho começa a
ser sacudido. Temos de voltar para trás, aterrar na pista e esperar. Chove. O
tempo dessuda-se.
No regresso, ainda pudemos admirar os
campos de arroz do Biombo, óptimo quadro para um pintor cubista.
Verdadeiramente belas são também as habitações, simbioticamente ligadas umas às
outras, formando pequenos pátios, começos de espiral.
(Ronco, Jornal
do C. I. M., Ano III – N.º 27 – Bolama, 1 de Outubro de 1970)
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